Umuarama - O crescimento e o controle das colônias de formigas cortadeiras no campo e na cidade serão o tema de uma campanha de combate ao inseto, promovido pela AMERIOS (Associação de Municípios de Entre Rios), a Seab, o Emater, Conselho de Sanidade Agropecuária (CSA) e prefeituras. A mobilização conjunta se deve ao crescimento acelerado dos formigueiros nos municípios da região noroeste do Paraná e o prejuízo causado aos produtores e a região.
Segundo o gerente da Regional da Emater, Orivaldo Da Silva, a campanha pretende levar conhecimento para os gestores dos municípios e esses por sua vez realizarem um trabalho com os donos de propriedades rurais. “Para conseguir controlar esse crescimento desordenado das formigas, precisamos de uma ação conjunta. Pois não adianta um produtor realizar o controle se o vizinho não fizer. Por isso a campanha tem que ser em conjunto, começando com ações de capacitações nas regionais para os municípios e em seguida para os produtores”, informou.
Segundo o biólogo da Emater, Jose Cosmi de Lima, as formigas cortadeiras causam grandes perdas econômicas à agricultura e à pecuária da região, pois diminuem ou acabam com a produção ao cortar plantas. Um formigueiro de saúva pode consumir até uma tonelada de folhas verdes por ano, equivalente a oitenta árvores por ano. “Estudos mostram que 10 sauveiros com cinco anos de idade, em um hectare, ocupam uma área de 715 metros quadrados e consomem cerca de 20 quilos de capim por dia. A mesma quantidade que um boi por dia em regime de pasto. Nessas circunstâncias, a saúva reduz em mais de 50% a capacidade dos pastos”, informou.
Lima ainda ressaltou a necessidade de realizar o controle correto da saúva, pois o mau manuseio de iscas ou venenos pode ter efeitos prejudiciais. “Nosso intenção é levar informação para os produtores, pois cada caso é diferente. Temos que analisar qual tipo de formiga está na sua propriedade, tamanho e período que o formigueiro está estabelecido, para assim realizar o controle. Muitas pessoas não sabem usar o produto correto ou até a quantidade de produto. Com isso a formiga volta a fazer o ninho”, ressaltou.
“O controle tem que ser feito a partir do dia que foi encontrado o formigueiro maduro na área, pois como já sabemos, o poder de destruição das formigas é muito grande. Como as formigas andam até 300 metros para buscar folhas, o seu vizinho também tem que combater as formigas”. Continuou o biólogo.
Lançamento
O evento de lançamento da Campanha Regional de Controle das Formigas Cortadeiras será hoje, às 9h, na Sociedade Rural de Umuarama (parque de exposições). Após esta reunião, cada município deverá fazer uma reunião para divulgação e mobilizar da comunidade.
Fora de controle
Estudos mostram que as formigas estão fora de controle devido ao desequilíbrio ambiental e pela extinção gradativa da biodiversidade e expansão das monoculturas. Todos os municípios do noroeste do estado do Paraná têm problemas com formigas cortadeiras, tanto em áreas urbanas e rurais. Além da presença expressiva em áreas de remanescentes florestais (reservas legais e mata ciliar), onde o seu controle tem restrições legais.
Prejuízos/Pastagem
• Pastagens;
• Competição com o gado;
• Reduz a recuperação das pastagens;
• Um sauveiro adulto mede (70m2) e corta 2,5 Kg de forragem dia.
Prejuízo/cana-de-açúcar
• Apenas uma colônia:
• Para uma produção de 60 toneladas/ha, perde 3,2 toneladas/ha ou 5,0 %;
• 3,2 toneladas/ha ano: equivalente a 450 kg de açúcar ou 300 litros de álcool/ano;
• Estima-se um prejuízo de U$ 630 milhões por ano no Brasil.
Previsão
• Pasto reformado com cinco anos chega a ter cinco sauveiros/ha. Em 10 anos, passa para 18 sauveiros/ha. O que pode reduz a cabeça de gado em 1,2 por hectare;
• Um sauveiro adulto (6 anos) consome uma tonelada de folha de eucalipto por ano. Corresponde a produção de 86 árvores.