| Política e Opinião | Umuarama, Domingo, 31 de Outubro de 1999 |
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Charge _______________________________________ Eleições, eleitor ARMANDO CERCI JÚNIOR Pois é, minha gente. Teremos eleições municipais no ano que vem. Como acontece em cada ano eleitoral, aparecerão candidatos auto-afirmando-se como gestor ideal, alguns até travestidos de galã de novela das oito, dizendo as mesmas coisas, diagnosticando defeitos, apontando soluções e enfim fazendo até promessas. Promessas como aquelas em que o candidato afirma que, se eleito for, "vos darei o leite, a manteiga, o queijo e, se quiserem, darei até a vaca de uma vez". Para abafar um pouco o ânimo de muita gente, o Congresso Nacional aprovou projeto de lei apresentada por meio de iniciativa popular, coordenada pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), onde prevê a perda do registro eleitoral e, em última instância, a cassação do mandato, se for literalmente comprovado a compra de votos nos casos em que o candidato ofereça bens, emprego ou vantagem. Iniciativas como essa tentam conter o abuso do poder econômico e, de certa forma, disciplinar o eleitor para que este não transforme seu voto em mercadoria. Em conversa com um amigo, discutíamos exatamente qual o perfil ideal e valores essenciais para um cidadão que pleiteia a admissão na vida pública e que, eventualmente, segundo a opinião pública, pode ter aprovação e sucesso. Ponderação, sinceridade e probidade são virtudes extremamente necessárias àqueles que queiram ser um depositário das esperanças do eleitor. Mas você pode perguntar: existe gente envolvida em política com essas qualidades em minha comunidade? Acho que é só verificar minuciosamente que você vai encontrar. Homens e mulheres determinados(as), de bom senso, visão social, bons articuladores, empreendedores, e que estão comprometidos com princípios éticos e sociais. Cidadãos que definam política como a arte de dialogar, planificar, projetar e executar obras e empreendimentos que atendam às expectativas e necessidades da maioria. O que se deve é ter cautela toda especial com determinados ‘atores’ que prometem o ‘mundo e o fundo’ e, ao obterem o voto e o sucesso de seus objetivos, viram as costas aos problemas mais prementes da população. Por incrível que pareça, ainda vemos postulantes a cargos eletivos dizendo que são ‘amigos’ do povo para melhor iludir, mas que nunca tiveram com o povo o menor contato, o menor traço de união com os anseios deste mesmo povo, e nem sequer sentiram os problemas desta gente sofrida e amargurada. É marca indelével destes, fugirem do povo, trair a sua confiança, renegar seus compromissos e colocar-se servilmente ao pé dos poderosos. Eis porque os trabalhadores de hoje estão completamente abandonados, sem teto, sem proteção e sem assistência. E o que é pior: como já dissemos, sem esperanças. Para ser um bom político, o cidadão tem que ter vocação para servir. Servir ao povo e não aos seus interesses particulares. Ser político é trabalhar para o povo, para a sua cidade, Estado e pelo país. Armando Cerci Júnior é bioquímico e ex-vereador em Cruzeiro do Oeste _______________________________________ Rálouin e cáutri Ângelo Edval Roman O que uma criança do pré-escolar tem a ver com a festa das bruxas dos americanos? O que qualquer brasileiro tem a ver com isso? Nesta semana, grande parte das escolas festejam o ralouin. É a colônia imitando a corte. Essas mesmas crianças que não conhecem a história do saci-pererê, do negrinho do pastoreio, personagens tipicamente brasileiros, que fazem parte de um folclore rico que temos, com muita música, mas que está sendo jogado pro lixo. Festa junina já virou, em grande parte, festa "country" (ou cáutri, como dizem os locutores de FM). Em vez de caipirinhas, vemos caubóis e cauguéls.. Claro que cultura não tem fronteiras. Mas, podemos dizer isso, pra se conhecer, respeitar. Para se adotar, tem fronteiras, sim senhor! Aliás, o que distingue os povos são, principalmente, suas diferenças culturais. Já não basta termos um Papai Noel com um veículo puxado por renas, que usa uma roupa quente para enfrentar a neve, e ainda neve em pleno dezembro. O que isso tem a ver com o Brasil? Mas, vamos lá. Acabou virando tradição, é um personagem de um dia muito especial em que as pessoas trocam presentes, se abraçam. Poderíamos ficar por aí. Importar a festa das bruxas e substituir as tradicionais festas juninas por festa cáutri é demais. Os americanos já mandam em tudo por aqui. O que resta é nossa cultura. É o que o povo, cada um de nós pode ajudar a preservar.Continuando assim, vamos introduzir nas nossas festas, o ambúrguer. Acaba virando tradição. Caubói comendo ambúrguer e dançando música cáutri. "O que distingue os povos são, principalmente, suas diferenças culturais" Por que essa submissão das escolas? Professor tem e função de ensinar, mas tem o papel de ajudar a preservar nossa cultura, a proporcionar exemplos de cidadania, de respeito à nação. Pode-se argumentar que o importante é a alegria das crianças, que alegria não tem pátria, etc. A questão é se alegria só se obtém fazendo o que a televisão e os colonizadores mandam. O que as crianças cantam nas escolinhas? Pelo que vi, em muitas escolas, são as músicas da Xuxa, que seriam até boazinhas, não fosse a personagem que deseduca e dirige ao consumismo em seus programas. Imitar as baianas do axé, com seus movimentos eróticos, letras de música de nível baixo, o que isso acrescenta para as crianças, que estão ainda formando a cabecinha? Claro que é gostoso ver os rebolados, a alegria e o ritmo gostoso. Mas, para crianças pequenas? O folclore tem muito mais coisa a dar. Quadradismo? Os redondos estão entregando o Brasil para os estrangeiros, permitindo que gostemos da roupa e da música que nos são determinadas. Nesse sentido, melhor ser quadrado. Coitadas das crianças e do Brasil. O domínio cultural é o último passo dos invasores. Nada melhor que começar pelas crianças. Tudo com apoio de grande parte das escolas. Ângelo Edval Roman, de Curitia E-mail : angelo.roman@inetone.com.br _______________________________________ |
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